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NOVO RETRATO DO TRABALHADOR



O perfil consolidado mais recente e trazendo novos traços do trabalhador brasileiro foi divulgado pelo IBGE nesta quarta, 8 de setembro, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, mostrando dados sobre escolaridade, grau de sindicalização e empreendedorismo.

A Pnad 2009 investigou 399.387 pessoas em 153.837 domicílios por todo o país a respeito de temas como população, migração, educação, trabalho, família, domicílios e rendimento, tendo setembro como mês de referência.

Diz o IBGE que, no ano passado, 43,1% da população ocupada tinha pelo menos o ensino médio completo e 11,1%, o superior completo, superando as médias nacionais. Em 2004, esses indicadores eram menores (33,6% e 8,1%, pela ordem), mas, apesar disso e do aumento nas taxas de escolarização, os brasileiros de 10 anos ou mais de idade tinham em média 7,2 anos de estudo. Melhoramos, claro, mas ainda há muito a avançar: entre 2004 e 2009, o número dos que haviam estudado pelo menos 11 anos subiu de 38,7 milhões para 53,8 milhões (ou de 26% para 33%) e caiu o dos com menos de 4 anos, de 38,7 milhões para 36,2 milhões de pessoas (25,9% para 22,2%).

Em três das cinco regiões, o percentual de trabalhadores com ensino superior completo era maior que a média nacional, ano passado: Sudeste (14,1%), Sul (12%) e Centro-Oeste (12,5%).

Item destacado pelo IBGE é a transferência de trabalhadores de atividades primárias (agricultura) para secundárias (construção civil) e terciárias (serviços). Em 2004, o número de trabalhadores ocupados no setor de serviços equivalia a 40,4% do total; cinco anos depois, o número subiu para 42,9%. Nesse intervalo, o pessoal ocupado em atividades agrícolas caiu de 21,1% para 17%. E mantiveram-se estáveis os ocupados na indústria (de 14,6% para 14,7% do total) e no comércio (de 17,3% para 17,8%), crescendo o contingente da construção civil (de 6,3% para 7,4%).

Outro dado divulgado mostra queda no sindicalismo e aumento no empreendedorismo, entre 2008 e 2009. Antes, os trabalhadores filiados a sindicatos representavam 18,2% do total. Depois, baixaram a 17,7% (queda de 1,9% de um ano para outro). A maioria dos sindicalizados está no Sul (20,7%) e a minoria, no Norte (14,1%).

Novidade na Pnad é o levantamento sobre empreendedorismo: no ano passado, 14% dos trabalhadores por conta própria tinham registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), numero que sobe a 68,4% entre os empregadores. A formalidade no Brasil é estimada pelo IBGE em 23,5% dos trabalhadores por conta própria e empresários, com destaque para o Sul (37,6%) e o Sudeste (29,5%).

De 1992 para 2009
O IBGE fez uma comparação histórica, considerando dados da Pnad de 1992 com os de 2009, feitas as devidas harmonizações geográficas (até 2003, não eram consideradas áreas rurais de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá).

Pois no que se refere ao trabalho, esse confronto mostrou aumento no nível da ocupação das pessoas de dez ou mais anos de idade: 57,5% em 1992, com alternâncias anuais para cima e para baixo até 2003, quando foi de 55,4%. Daí em diante, trajetória de alta, interrompida pela crise, baixando a 56,9% em 2009.

A taxa de desocupação chegou a seu menor patamar em 1995 (6,1%) e ao maior em 2003 (9,7%). A partir de 2006 (8,5%) entrou em processo de queda, interrompido em 2009 (8,4%).

Quanto à formalidade do trabalho, o Brasil passou de 56,6% do total de empregados (exclusive domésticos) com carteira de trabalho assinada em 1992 para 59,9% em 2009. Houve uma queda notável em 1999, para 53,4%, o menor nível da série. No período, aumentou a proporção de ocupados contribuintes para a Previdência de 45,1% para 54,1%.

E quanto ao rendimento médio mensal de trabalho, registou-se alta de 43,2% entre 1992 e 1996, quedas nos anos seguintes, à media anual de cerca de 3,5%. De 2005 para 2006, ganho de 7,2%, mas com queda de 3% no ano seguinte e de 1,7% em 2008.

No ano passado, voltou o crescimento: 2,2%, para R$ 1.111. Comparado aos R$ 799 de 1992, o ganho real é de 39%. O IBGE anotou o ano de 1996 como o de maior rendimento do trabalho, (R$ 1.144).
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(08/09/2010)