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DE NORTE A SUL
Da Paraíba, de SãoPaulo, de Santa Catarina e do Paraná vêm manifestações importantes sobre o apagão do dia 10 de novembro.
José Carlos Fernandes Neto, de São Paulo (SP), acrescenta, ao pé de BRILHANDO NA ESCURIDÃO, os números de sua fatura da Eletropaulo: R$ 120 de consumo, R$ 54 de impostos. E comenta: "Assim a cobra mata o pau!"
Charles Letras, de João Pessoa (PB), viu uma "estranha coincidência no fato de que, poucos dias após o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, ter declarado que as empresas de energia teriam de devolver aos consumidores a taxa pelos serviços de energia cobrada indevidamente, aconteceu esse blecaute, até agora não bem esclarecido".
Para Paulo Bueno Júnior, de engenheiro eletricista e eletrônico de São José dos Campos (SP), também "algo de muito estanho está no ar. As desculpas para justificar o ocorrido acabam por conflitar com alguns fatos, Como todos sabem , Itaipu é uma usina que atende o Brasil e o Paraguai. No sistema brasileiro de energia, é utilizada uma frequência de rede de 60 hertz com sincronismo de rede elétrica. Já no Paraguai o sistema é de 50 Hertz. Logo, pelo acordo, a usina funciona como se fossem duas independentes, metade das turbinas gera energia a 60 Hertz e a metade paraguaia, a 50 Hertz. Por esta característica, os sistemas não podem ser interligados diretamente, pois não têm sincronismo".
Explicado isto, "vamos aos fatos: se um raio atingir a rede de 60 hertz da geradora brasileira, somente este sistema poderia ser desarmado, mantendo o sistema paraguaio funcionando normalmente. Os sistemas são separados por quilômetros de distância. Qual seria a possibilidade de dois raios atingirem cada uma das redes de transmissão ao mesmo tempo?"
E Volnei Batista, de Joinville (SC), chama a atenção para o que considera "uma coincidência: na véspera do apagão, dia 10 de novembro, por decreto, outorga-se a várias empresas a concessão para exploração de serviços públicos de transmissão de energia elétrica relativa a quase 30 subestações e linhas de transmissão diversas em São Paulo, no Mato Grosso, em Goiás, em Rondônia e no Acre, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e no Paraná".
Rinaldo Leandro, operador de sistema na Eletrosul de Curitiba (PR), se diz decepcionado com comentários que "colocam no mesmo plano milhares de técnicos de operação dos políticos, que estão apenas em cargos gerenciais e que nada têm a ver com a operação do sistema.O mais grave é a referência a uma sabotagem virtual, revelando total desconhecimento e despreparo em tratar deste tema, como aliás boa parte da mídia."
Nota da Redação: os comentários se referiram, sempre, ao problema do loteamento dos cargos de direção a apadrinhados políticos, em detrimento de indicações técnicas. O leitor se equivoca ao dirigir sua crítica a este site e a seu jornalista responsável. br> Rodrigo Gonzaga, gerente de fundição em Sertãozinho (SP), quer saber: estando os reservatórios cheios e havendo capacidade para fornecer energia, sem problemas, até 2020, como ficam custos e preços nas distribuidoras, no mercado livre, ao consumidor? Na falta, os preços sobem. Na cheia, nem, sempre, diz ele.
(14/11/2009)
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