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Joelmir Beting



Capa VipJoelmir José Beting é meu nome completo. O nome da família é Betting com dois T. Parece nome inglês, mas é nome alemão da Westphalia, fronteira com a Holanda. A família veio de Metelen, perto de Munster, nos idos de 1864, a bordo do paquete holandês Challenger.
E bota desafio nisso. Juntamente, no mesmo barco, com outras 42 famílias de Metelen e arredores, os colonos alemães foram contratados, previamente, pela Fazenda Ibicaba, na boca do sertão de Limeira, então braço avançado de Campinas, SP.

Hoje tombada pelo Patrimônio Histórico, a Ibicaba funcionou como central de suprimentos de alimentos e uniformes para a soldadesca enfiada no "front" da Guerra do Paraguai. Minha família era de tecelões, para os uniformes. O forte de Ibicaba era a introdução do café em bases modernas, com mão-de-obra importada da Alemanha e da Suiça. Fazenda de propriedade do Senador Vergueiro e do Brigadeiro Luiz Antonio. O internauta paulistano dirá: mas isso não é uma fazenda; é uma esquina. Não por caso, esquina famosa do centro velho de São Paulo . Deixo para depois a história deEstadão Ibicaba e o fio da meada puxado de Limeira até Tambaú, via Pirassununga.

Nasci em Tambaú, em 21 de dezembro de 1936. Ali trabalhei e estudei até 1955. Fui bóia-fria aos sete anos de idade. Desembarquei em São Paulo com a roupa do corpo, literalmente empurrado pelo Padre Donizetti Tavares de Lima (1890-1961), meu gurú espiritual (e profissional). Ele me orientou para estudar Sociologia na USP e "fazer carreira no jornalismo", Eu queria seguir carreira no magistério, tal como fizeram dois brilhantes colegas de turma: Francisco Weffort e Ruth Cardoso.

Acabei resvalando para o jornalismo, entrando pela porta da imprensa esportiva já em 1957, ainda cursando a USP. Fiz futebol nos jornais O Esporte e Diário Popular e na rádio Panamericana(que virou Jovem Pan). Em 1962, sociólogo formado, troquei o jornalismo esportivo pelo jornalismo econômico. Inicialmente, como redator de estudos de viabilidade econômica para projetos desenvolvidos por uma consultoria de São Paulo.

Em 1966, pelas mãos de Gilberto Adrien, diretor comercial da Folha de S.Paulo, fui resgatado pelo jornalismo diário para lançar uma editoria de Automóveis no caderno de Classificados. RevistasReferência: uma tese acadêmica na USP, nota 10, de minha autoria, datada de 1962, monitorada pelos professores Azis Simão e Fernando Henrique Cardoso, versando sobre "Adaptação da Mão-de-Obra Nordestina na Indústria Automobilística de São Paulo".

A cobertura do mercado de automóveis ganhou luz própria e acabei premiado, em 1968, com a nomeação para o cargo de Editor de Economia da Folha de S.Paulo. Onde encontrei tempo e espaço para lançar minha coluna diária em 7 de janeiro de 1970. A mesma coluna foi, por anos, publicada simultaneamente por quase meia centena de jornais brasileiros, com timbre da Agência Estado. Troquei a Folha de S.Paulo pelo O Estado de S.Paulo em agosto de 1991, juntamente com Paulo Francis.

ChargeA coluna diária foi meu pau-da-barraca profissional. Com ela, desbravei o economês, vulgarizei a informação econômica, fui chamado nos meios acadêmicos enciumados de "Chacrinha da Economia", virei patrono e paraninfo de 157 turmas de formandos em Economia, Administração, Engenharia, Agronomia, Direito - bem mais que Dom Helder, Dom Evaristo, Tristão de Athayde, Chateaubriand, Juscelino...

A coluna diária - ininterrupta, até 30 de janeiro de 2004, - igualmente foi meu trampolim para inaugurar, ainda em 1970, a informação econômica diária em rádio (Jovem Pan, Gazeta, Bandeirantes e CBN) e em televisão (Gazeta, Record, Bandeirantes e Globo, nesta a partir de agosto de 1985, até julho de 2003, passando pelo "Espaço Aberto" na GloboNews, e de volta à Bandeirantes, em março de 2004.

Multimídia há três décadas, ataquei também de livros com "Na Prática a Teoria é Outra"(1973) e "Os Juros Subversivos"(1985) e dezenas de ensaios para revistas semanais, como um muito especial, tratando dos efeitos da inflação, "Párias do Quatrilhão", para a "Veja" do Natal de 1996.

Outra atividade profissional de grande peso em minha carreira é a de conferencista no Brasil e no Exterior. Realizo, em média, oito palestras por mês em empresas, convenções, simpósios, congressos e seminários. Onde eu me reencontro com a profissão que pretendia seguir nos tempos da USP: o magistério.

ChargeSim, trabalho e estudo 15 horas por dia, desde minha infância em Tambaú. Minha mulher, Lucila, segura a prensa desde nosso casamento indissolúvel, em 14 de abril de 1963. E meus dois filhos, Gianfranco, publicitário e webmaster, e Mauro, comentarista esportivo de jornal e televisão, também trabalham, pesquisam e estudam hoje 15 horas por dia.
Aqui neste Perfil, farei desfilar um vasto material em texto, som e imagem do que andei fazendo nestes mais de 40 anos de jornalismo. Com pelo menos uma dezena de histórias pessoais que mostram que o jornalismo econômico, entre outras coisas, é também uma profissão fisicamente perigosa. Um dia eu conto.
São Paulo, fevereiro 2004

(05/12/2002)