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MANTEGA CONTRA BERNANKE, DO FED



A decisão de afrouxar mais a política monetária está plenamente consistente com o mandato legal do banco central americano (o Federal Reserve) de promover o máximo de nível sustentável de emprego enquanto mantém a estabilidade de preços. Este apoio à política anunciada há dias pelo presidente do Fed, Ben Bernanke, foi dado nesta terça, 18, por dois altos dirigentes do banco, o presidente em Nova York, William Dudley, e o de Chicago, Charles Evans. "Era tempo de agir", disse este.

Não têm a mesma opinião Guido Mantega, ministro da Fazenda do Brasil, e com o ministro das Finanças da França, Pierre Moscovici. Mantega diz que essa política "pode provocar muitos problemas aos países emergentes". E Moscovici, mais prudente, diz que assuntos como esse devem "ser tratados em fóruns multilaterais"

Leia . Segundo Dudley, o Fed está disposto a intervir, fazendo mais compras de bônus até observar "uma substancial melhora na perspectiva para o mercado de trabalho". O Fed tem novo programa de compra de US$ 40 bi por mês em ativos lastreados em hipotecas, com prazo atrelado ao desempenho do mercado de trabalho. O Fed só vai cortar os novos recursos se, além de queda na taxa de desemprego, forem satisfatórios outros indicadores, adiantou Dudley.

Para ele, "no curto prazo, a perspectiva econômica é de que o ritmo de crescimento provavelmente permanecerá desapontador. A taxa de desemprego está inaceitavelmente alta."

Em Paris, depois de reunião com o Pierre Moscovici, Mantega criticou essas medidas. pois não resolverão "em grande medida os problemas dos EUA, mas provocarão problemas para os países emergentes." A desvalorização da moeda americana fará o Brasil perder dinheiro, que tem muitas reservas em dólares, disse, e "com a desvalorização do dólar, perdemos competitividade."

Há tempos, Mantega criticara a grande emissão monetária nos EUA, cujos efeitos negativos nos países emergentes chamou de ameaça de guerra cambial. Moscovici preferiu centrar seus comentários na crise da Zona do Euro, dizendo ser preciso "progredir na supervisão bancária e na aplicação de um verdadeiro programa de crescimento para a Europa, que está começando a ver a luz no fim do túnel. A recuperada confiança dos mercados também quer dizer que a fase de aguda inquietação está ficando para trás". E não é hora de tumultuar os mercados.

Mantega avisou que vai continuar a tomar medidas para manter o real desvalorizado. Na segunda-feira, o BC ofertou US$ 3,5 bi em swaps cambiais reversos e vendeu US$ 2,172 bi. Desde 21 de agosto, quando fez o primeiro leilão desse tipo, já foram colocados no mercado US$ 6,051 bi. No pregão desta segunda, o dólar obteve a maior valorização diária desde 3 de julho (0,99%) e, no desta terça, que abriu em alta, mudou de direção fechou em baixa de 0,36%, para R$ 2,0228. O mercado mantém a expectativa de nova intervenção do BC, pois o dólar se afastou do piso informal de R$ 2,00.

(18/09/2012)