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VELEJAR É PRECISO



O chanceler brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que também está presidente da República, encerrou hoje sua estada de dois dias no Chile e repete a dose amanhã no Equador. Na agenda, estreitamento das relações do Brasil com a Comunidade Andina. Só faltou na mesma agenda uma esticada até Caracas para um abraço de confraternização com o companheiro Chávez, ressegurado no trono da Venezuela.

Na semana passada, o chanceler Lula esteve igualmente estreitando relações com o novo governo da República Dominicana, com sobras para o jogo da paz da seleção no Haiti. Resta saber qual é a próxima viagem do presidente ao Exterior, provavelmente na primeira semana de setembro. Ou qual é a agenda do presidente nesta sua próxima visita a Brasília, a partir de quinta-feira.

Bem, nada contra a exposição internacional do presidente Lula. Isso soma para o ego dele e do PT e para a imagem adocicada do Brasil. O problema é que governar não é velejar. Governar é despachar. Um pesado batente de gabinete, 10 horas por dia, de segunda a sábado, com direito a churrasco domingueiro na Granja do Torto. É o que pede um Brasil ainda em estado de emergência nacional.

Ocorre que o presidente vai completar agora em agosto 20 meses de governo com a seguinte distribuição dos 608 dias de agenda presidencial: 241 dias pelo mundo, 212 dias pelo Brasil e apenas 151 dias em Brasília.

Para cada dia em Brasília, três dias velejando pelo Brasil e pelo mundo. Ou se preferem: em 20 meses, 40 viagens ao Exterior, visitando 63 paises.

Vai para o Guiness. Ganha até do secretário geral da ONU.

(24/08/2004)